segunda-feira, 12 de abril de 2010

Críticas ao movimento

O Tropicalismo, sem dúvida alguma, foi um movimento marcante de atribuições culturais que contribuíram para a contrução de uma identidade da juventude na década de 1960. Apesar disso não esteve, em nenhum momento, livre de críticas. Eram muitos os argumentos contra o movimento.
Um deles se relacionava com a política, isto se deve ao fato de que, o país estava enfretando uma
crise, na qual quem tinha o poder político eram os militares, e assim, a ditadura reinava. A partir disso muitas pessoas questionavam o fato do Tropicalismo não possuir nenhum comprometimento político direto, enquanto uma série de outros artistas lançavam canções abertamente críticas. Os participantes do movimento, por sua vez, alegavam que a intenção deles não era fazer referencia aos temas tradicionais, pois acreditavam que a mudança estética já era uma forma de revolução. Pois aí você atribui cultura e conhecimento, para que se possa moldar um novo jovem, mais crítico, mais questionador. Portanto, arte é uma forma de revolução, e o que eles tentavam atingir era exatemente isso.
Outra crítica defendia a idéia de que o Tropicalismo era o símbolo da mais burra alienação.
Os argumentos utilizados eram os de que: o movimento apenas mudava a estética, não haviam fundamentos nem articulações. Aparentava ser ousado, pela inserção de ritmos distintos e roupas absurdas, porém beirava a superfície, não ia a fundo, era uma movimento tímido e gentil. A maioria das idéias e conceitos que trazia consigo eram importados, e assim, não se poderia criar uma cultura verdadeiramente tropical, brasileira. A partir disso, muitos consideravam os percursores do movimento, sujeitos cheios de empatia e pretensão.
Estas são apenas algumas críticas, dentre a quantidade de polêmicas que o Tropicalismo gerou. Talvez por ter caráter culturamente revolucionário, que trouxe de outros lugares o que se ouvia, o que se falava, como se vestia e inseriu todas essas carcterísticas (que futuramente foram moldando-se e apropriando-se a partir do que já havia sido produzido aqui e do desejo da juventude daquela época) em um país, em meio a uma grande confusão política.

Os dias de hoje e as heranças

A Tropicália permanece até hoje em nossa sociedade. Primeiro pela presença de seus percursores: Caetano, Gil, Tom Zé, Rogério Duarte, etc., que seguem com idéias do movimento, para manifestar certas coisas que tinham ficado por falar (a questão do preconceito, por exemplo).
Além disso, uma das atividades tropicalista foi o início de uma inserção da ‘contracultura ’(onde houve a ênfase no culto do corpo, nas drogas, na vida sexual aberta e onde o rock foi o caminho de expressão para este inconformismo, que se opunha a moral familiar, a sociedade tecnológica, etc.). Isso só foi possível graças ao início da atribuição de valores trazida pelo movimento.
Outra questão é que há uma grande continuidade de produção cultural no país, e ela é resultado da mescla de cultura produzida nacionalmente com as influências que vem de fora. O que só foi possível a partir da ruptura dos valores tradicionais (característica do Tropicalismo). Houve também o surgimento de herdeiros musicais, como Adriana Calcanhoto, Lenine, Los Hermanos, além das manifestações ligadas aos sons das periferias urbanas (rap e funk). Essa derivação não esta diretamente relacionada com a questão sonora, mas sim, com atitude inovadora e a quebra de preconceitos que ocorrem, assim como evidentemente ocorreu na Tropicália.
O jovem pós-tropicalismo é mais aberto as diferentes culturas, mais ativo, audacioso e questionador (ao menos deveria ser). Reflexo de uma parcela da sociedade que no século passado fez história, por aderir novos conceitos, romper padrões morais tradicionais.